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Simply by Cristina

Simplesmente a pura partilha de sabores e afetos...

Simply by Cristina

Simplesmente a pura partilha de sabores e afetos...

Sardinhas Doces de Trancoso!

As Sardinhas Doces de Trancoso são uma especialidade da admirável doçaria conventual do nosso país.

Mas, perguntais vós: “Sardinhas... em Trancoso?”
De facto, situada num planalto, rodeada de acolhedoras montanhas, longe do mar salgado, esta pequena cidade situa-se num vasto planalto, a 885m de altitude, impõe-se na paisagem raiana, com o seu castelo altaneiro e cintura de muralhas.
Trancoso, outrora vila, é desde 2004 uma cidade portuguesa pertencente ao distrito da Guarda.

E, sim! Aqui, encontramos Sardinhas, mas Doces!
Um requintado doce em forma do peixe que lhe dá o nome, com cobertura de chocolate e um rico recheio de amêndoa, ovos e açúcar. Se dúvidas houvesse que são 'Sardinhas', seria o seu formato a denunciar tal designação.
Se mais dúvidas houvesse que são doces, seria a esplêndida mistura de sabores entre o chocolate, o açúcar e os ovos a demonstrá-lo.
E... se ainda assim, mais dúvidas houvesse que são únicas, bastaria dizer que em mais parte nenhuma de Portugal se encontra uma iguaria doceira igual, quer no seu formato, quer no seu sabor.

A sua história remonta aos finais do século XVII.
Diz a tradição oral, que a receita das Sardinhas Doces deriva do convento de Santa Clara de Trancoso sendo que, à semelhança de muitas outras receitas conventuais, sobreviveu à extinção das ordens religiosas e encerramento dos conventos e mosteiros passando, num primeiro tempo, para as casas abastadas e, mais tarde, para as famílias locais.
Mas porquê neste formato?
Conta a tradição que estas Sardinhas nasceram da necessidade de satisfazer a insuficiência de peixe, cujo transporte era, noutros tempos muito demorado e irregular para as regiões do interior.
Para adoçar um pouco a boca, enquanto esperavam a chegada do verdadeiro peixe, nada melhor que adoçar a boca destas gentes com um doce conventual.
Nesta escalada do tempo, em que por sorte as receitas não se perdem, importa ressalvar as gerações de doceiras que com as suas mãos laboriosas e dedicadas souberam transpor para o futuro a singularidade de uma receita antiga. Importa, de igual forma, ressalvar ainda, o saber-fazer necessário para que esta receita nunca perdesse o que a caracteriza. 
Aliando uma primorosa confecção aos melhores ingredientes tradicionais e regionais, esta receita é, sem sombra de dúvidas, uma jóia da doçaria conventual Portuguesa, de textura muito própria, delicada, doce e com um interior aveludado que os apreciadores destes sabores tão próprios não consegue resistir.
O ligeiro travo a canela e amêndoa confere-lhe um toque final requintado e uma distinta elegância que torna este doce, simplesmente irresístivel!

Por isso, ao falarmos das sardinhas Doces, falamos de um doce singular, genuíno e específico, cujo sabor nos remete para características organolépticas que não se descrevem, apenas se sentem.
É esta a qualidade dos produtos únicos.
Saboreamos com gosto e não sabemos porquê.
Encontramos aquele sabor ali e não noutro doce qualquer.
Será das sardinhas?
Será dos amigos que nos dão a conhecer as sardinhas?
Será do ambiente medieval que se encontra em Trancoso, onde as pedras respiram história e onde as figuras ali nascidas nos bradam as suas particularidades?
Provavelmente, será tudo isso conjugado ou então nada disso. Se calhar, são só as Sardinhas doces que são deliciosas e que nos impelem a repeti-las sempre que há oportunidade. 

Sabiam que Trancoso, atravessa a história de Portugal e relata na primeira pessoa muitos episódios que importam para a relevância do país enquanto território independente?

Em Trancoso, foram realizadas as bodas do rei D. Dinis e de D. Isabel de Aragão, figura maior e mais tarde baptizada como rainha Santa Isabel.
Foi este território do planalto o escolhido como digno para os esponsais de um dos mais importantes reis de Portugal. Também é de referir que Trancoso é a terra de Gonçalo Annes Bandarra, sapateiro de profissão que ficou imortalizado na história nacional pelas suas profecias potenciadoras do mito sebastianista e da importância do país no destino do mundo.
Apesar da censura, as trovas de Bandarra sobreviveram ao digladiar da controversa acção da Inquisição e influíram o pensamento de ilustres nomes da literatura nacional como Padre António Vieira e Fernando Pessoa.
Mais do que a profecia, seria porventura a convicção da grandeza de Portugal que fez com que o texto de Bandarra sobrevivesse à censura.
Apesar da conturbada relação com o Santo Ofício, Gonçalo Annes Bandarra encontra-se sepultado na igreja de São Pedro de Trancoso. 

Quem por lá passa e prova as Sardinhas Doces, fica sempre com vontade de regressar.
O seu inesquecível sabor, obrigam sempre a voltar a Trancoso, nem que seja pelos amigos que lá vivem e defendem este doce como uma parte da sua alma...

Ressalvo que, tal como, todas as receitas conventuais, esta também terá as suas particularidades e os seus segredos, mas chegar bem perto da receita original, sim é possível, mas é claro ser fidedigno é impossível!
Esta é a minha receita, mas para provar as "originais", terão que visitar Trancoso!

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Ingredientes:
Para o Recheio:

250g Amêndoa sem pele
120ml Água
400g Açúcar
10 Gemas

Preparação:

1. Colocar no copo a Amêndoa e triturar.
10Seg./Vel. 7
Retirar e reservar.
2. Deitar no copo a água e o açúcar.
Programar 10Min./Varoma/Vel.2
Substituir o copo medida, pelo cesto.
3. Entretanto, numa tigela deitar as gemas e com a ajuda de uma vara de arames ou de um garfo, misturar bem.
Reservar.
4. Após os 10Min. terminarem, juntar um pouco da calda de açúcar nas gemas e envolver.
5. Inserir a borboleta, programar 8Min./Varoma/Vel.1 e através do bocal deitar o preparado das gemas em fio.
6. Terminado o tempo, verter o preparado para um recipiente.
Adicionar, agora a Amêndoa reservada e envolver muito bem.
Este recheio, para arrefecer, deverá ser mexido de vez em quando.
Reservar no frigorífico, pois vai ser usado para rechear a massa das Sardinhas e para tal tem que estar sólido e bem frio.

Ingredientes
Para a Massa Tenra:

80ml Azeite
100ml Água
280g Farinha T55

Preparação:
1. Deitar no copo o Azeite.
Aquecer 5Min./100º/Vel.1
2. Através do bocal, adicionar a farinha e SÓ DEPOIS a água.
Programar 15Seg./Vel.6
Retirar do copo, formar uma bola e deixar a massa descansar cerca de 30Min.
3. Numa superfície, polvilhada com farinha, estender a massa finamente com a ajuda de um rolo.
4. Depois, colocar o recheio com a ajuda de 1c. sopa, dobrar a massa e fechar a sardinha de modo a que esta fique agora com a forma de um rissol e com o tamanho que poderá variar entre 13 a 16cm, não mais!
Nos extremos, desta Sardinha e com a ajuda de uma faca ou de uma carretilha, moldar a cabeça e o rabo.
Para tal, devem dar um corte de cerca de 1,5cm torcer esses extremos e achatar ligeiramente dando-lhe a forma específica.
Selar a toda a volta para que na fritura não abra.
5. Numa frigideira alta, deitar óleo abundante e aquecer.
Quando estiver bem quente, diminuir para uma temperatura média e fritar.
6. Depois de fritas as Sardinhas, deixar arrefecer por completo.

Ingredientes:
Para a Cobertura:

150g Chocolate para culinária
100g Açúcar
125ml Água
Açúcar + Canela, em pó para envolver SULDOURO NAVIRES

Preparação:

1. Partir o chocolate em pedaços, deitar no copo e dar 3 toques Turbo.
2. Adicionar o Açúcar e a Água.
Programar 8Min./100º/Vel.2
Retirar para um recipiente largo, de forma apoder mergulhar as sardinhas, após a fritura.
Deixar arrefecer ligeiramente (cerca de 10Min.) antes de usar.
3. Mergulhar as Sardinhas neste cobertura e passar de imediato pela mistura de Açúcar + Canela em pó.

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Sugestão de Alojamento:
Recomendo:

Hotel Turismo de Trancoso

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 Visitem a cidade de Trancoso...

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Para um fim de semana de aventura, contactem:
Bandarra's Clube Ciclismo de Trancoso

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 Um especial agradecimento ao meu amigo, Jorge Castela!